terça-feira, janeiro 16, 2007

Modernidade e cidadania (breve reflexão sem juízo)

Um texto do Caderno de domingo do Estadão, o Aliás, entre outras assertivas, defendia a tese de que a modernidade desvaloriza a cidadania. Ora, o que entendo por modernidade não pode estar desvinculado do consumismo exacerbado e do individualismo desses tempos.
Cidadania é a qualidade do indíviduo de direitos perante a coletividade, diante do Estado enquanto governante. É através dos direitos de cidadão que o indivíduo se enxerga e se compreende pertencente à coletividade.
O homem moderno, gerador e consumidor de riquezas, projeta no consumo todas suas expectativas e frustrações, e o traz para todas as esferas de sua vida, e para citar um exemplo, basta observar a relação que um drogado numa festa rave estabelece com a droga; esta, alçada à condição de objeto de consumo privilegiado, aliás, algumas delas tornando-se verdadeiras marcas, cada uma com seu próprio logotipo e apelo.
Já o individualismo é mais difícil de perceber. Não é fácil para nós, dessa geração pós anos 60, perceber o quanto individualistas somos, simplesmente porque não conseguimos conceber qualquer outra maneira de agirmos, uma vez que o capitalismo nos obriga (aqui cabe lembrar que o homem é soberano e portanto, não é absolutamente obrigado a nada) a produzir riquezas sem as quais nos sentimos tolhidos de uma liberdade que na verdade não é liberdade - um homem verdadeiramente livre pode conceber suas próprias verdades, seus próprios conceitos, e assim, posso afirmar que a verdadeira liberdade é aquela praticada em nossos pensamentos.
Ora, não é difícil se convencer que um homem, focado em seu poder de consumo, em êxtase com as delícias do pragmatismo e conforto modernos - e num raciocínio quase absolutamente simplista - e assim voltado inteiramente à sua individualidade, não se importará com a coletividade e portanto não terá condições de exercer cidadania.
Nosso desafio é conseguir conjugar modernidade e cidadania.

2 comentários:

zero disse...

modernindade que é modernidade não leva ao caos!

Filé disse...

ou sim...