quarta-feira, outubro 11, 2006

Palpites do Mestre Palpiteiro, Doutor em Pescoçar

Não sou psicólogo, psicanalista, nem muito menos psiquiatra. Tampouco trabalho com psicólogos, psicanalistas, nem jamais com psiquiatras. Também não trabalho em nenhum serviço de assistência social ou qualquer outra coisa que se assemelhe. Portanto, o que lhe direi a seguir, leitor, não é nada mais do que simplesmente baseado em minha experiência de mestre palpiteiro, doutor em pescoçar a vida dos outros. Meu campo de pesquisa são as pessoas com as quais cruzo pelas ruas, ou ainda em artigos de jornal com especialistas do assunto, mas que por serem artigos de jornais não passam de superficiais análises do tema.
A depressão é hoje uma epidemia.
Não descarto a possibilidade de que a conclusão a que cheguei seja distorcida simplesmente porque a depressão não era sequer classificada como patologia há alguns anos atrás. Esta possibilidade torna-se cada vez menos coerente para mim a cada dia que passa e a cada olhar que cruza o meu olhar.
De qualquer maneira, ao olhar nos olhos de muitas das pessoas, no trabalho ou em qualquer outro lugar, o que não é o caso de minha casa (estou morando “quase” sozinho), me deparo diante de olhos fugidios, ou em outros casos, sob um olhar de arrogância e felicidade ostensiva, revela-se um ser em pânico, especialmente nos pequenos silêncios que o deprimido almeja em evitar.
Uma frente de fatos que me reforçam tal convicção é baseada no encontro com pessoas as quais revelam quaisquer traços de depressão ou pânico; sendo que a outra frente de fatos talvez não seja tão óbvia como a primeira, mas que igualmente pode fazer sentido.
É verdade que a rotina e o modus pensandis das pessoas não lhes dá tempo para meditarem acerca de suas vidas, e consequentemente, questionarem a vida que estão levando.
A segunda frente dos fatos me vem da constatação de que vivemos um período de grande individualismo, ao ponto de as pessoas optarem por não terem filhos, simplesmente porque não podem suportar a idéia de terem que abdicar de algumas condições em favor da atenção que devem aos filhos, atenção esta, aliás, exigida em nossa legislação.
Ora, uma vida que se sustenta unicamente na obtenção de mais vantagens, confortos e prazeres para si mesma, em algum momento não fechará a conta, simplesmente porque tais necessidades jamais se satisfarão.
Não estou tratando de simples tristeza, de um desânimo passageiro ou da agridoce melancolia; esta é dorzinha que acaba por nos revelar um fogo brando, que arde ardidinho e faz da vida uma comunhão com a beleza.
É o que observo por aí. Ainda que eu não seja psicólgo, psicanalista e muito menos psiquiatra.

Um comentário:

Carol disse...

Muito bem, caro escritor!!! Acredito que vc tenha razão em tudo o que escreveu aqui...principalmente qd diz que a depressão virou uma epidemia!!! não só a depressão como vários outros "trastornos e "síndromes" que nem sequer exitiam pra psicologia ou pra psiquiatria até há bem pouco tempo atrás, mas que estão aparecendo e sendo exaltados cada vez mais pelas mídias!!! muita coisa é verdade... mas depois de assistir um programa de TV como o fantástico por ex, em que a reportagem fala sobre alguma "nova síndrome", no dia seguinte vc não faz idéia do que aparece de gente nos consultórios psicológicos e psiquiatras dizendo terem todos aqueles sintomas desta "nova síndrome", que até então, esta mesma pessoa sequer os tinha, ou se tinha não percebia!!!! casos que devem ser analisados com muita cautela, já que a mídia tem um poder absurdo sobre a mente das pessoas....sem contar o Capitalismo "vendido" por elas tb!!! Porém, concordo com vc no caso da depressão, creio ser algo à que todos nós devemos dar mais atenção!!! ah! e só pra terminar, vc não é psicólogo, psicanalista ou psiquiatra, mas talvez fosse um excelente profissional de quaisquer dessas três áreas, ACREDITE!!!! (palavra de psicóloga rssss) bjos... até a próxima!