sexta-feira, setembro 08, 2006

Impressões àqueles que se impressionam (divagações)

Hoje venta frio lá fora.

Queria lhes contar de uma febre. Não uma febre física, mas uma febre que atordoa a percepção, e nos faz perceber tudo diferente, como quando estamos mergulhados em uma paixão avassaladora, ou quando fomos arrebatados por uma forte emoção, tão alegre ou tão trágica que nem sabemos ao certo como reagir.
No conforto do sofá, num dia em que, repentinamente, o sol quente e o calor deram lugar ao vento frio, já tarde da noite, após ter assistido no cinema (e isso muito importa para um filme de visual tão alucinante) Miami Vice.
Trata-se de cinema de temática e orçamento da grande indústria, absolutamente, com seus astros do mainstream, distribuição maciça, e roupagem de blockbuster. Não há dúvida. Mas há algo nesse filme que me manchou a percepção das coisas, como se minha visão estivesse submetida a um filtro interior, que ritmasse meu fluxo de consciência de forma incomum. Tudo isso vem fortalecer a crença de que a arte é algo que nos atinge em nossa essência de seres humanos civilizados e embebidos culturalmente.
Vejam bem; não me interessam thrillers com suas tomadas espetaculares de carrões em alta velocidade e suas cenas exageradamente vertiginosas de ação. Embora Miami Vice tenha esses ingredientes, seus personagens sofrem e expressam emoções que nos amparam da dor existencial. Talvez nos identificamos com suas dores diante do absurdo da existência (que Camus tão bem expressou). Nos identificamos com algo que nos fere, é a dor dele que nos dói, mas que afinal nos revela a beleza e nos faz sorrir muito intimamente. Aquilo que só uma febre como a da experiência artística nos faz experimentar...

2 comentários:

Rick disse...

É bem por ai... No meio desse mundo sintético, onde formas, velocidade e agitação são os principais ingredientes, ingredientes estes que nos fazem esquecer de quem somos, aumentando o nosso barulho interior que camufla inclusive nossas angustias, há o humano, de carne, sangue e sentimentos... Há o homem sempre envolto em suas angustias e esperanças...

Fred Linardi disse...

Opa! Me chamou atenção. Adorei a forma como escreveu e fiquei com vontade de ver esse filme!! Abração pra vc Barba!!